Tributo a um maçom

“Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores.” Khalil Gibran

Publicada por Gosp

Publicada em 17/06/2022

Nascido em Pederneiras (SP) em 23 de março de 1934, FERNANDO ANTONIO MINGUILI, filho de Vicente Juliano Minguili e Marina Martini Minguili. Casado com Maria Diva de Lima Minguili tiveram os filhos Cristiane, Valéria (já falecida) e Alessandro; os netos Bruno, Rafael, Vicente e Marina e os bisnetos Felipe, Bianca, Gabriel e Sofia.

Estudando em escola pública em sua cidade natal, foi aprovado no vestibular para a renomada Faculdade de Odontologia de Araraquara (SP), onde se formou em 1954. Teve consultório em Pederneiras de 1955 a 1971. Passou a integrar o Serviço Público como Cirurgião Dentista e finalmente como Sanitarista Regional de Saúde em Bauru (SP).

Foi jornalista com registro de Redator no Ministério do Trabalho desde 1973; passou pelos jornais Folha de Pederneiras, A Notícia, O Roteiro e A Praça e na Rádio Cultura de Pederneiras.

Na política teve atuação marcante durante décadas, participando ativamente das campanhas municipais, estaduais e federais desde a década de 50. Em 1959 elegeu-se Vereador em Pederneiras, reelegendo-se em 1963, com mandato até 1968; foi presidente da Câmara por 3 anos consecutivos. Foi Vice-Prefeito de 1969/72 e de 1983/88. Foi Prefeito Municipal de Pederneiras no mandato 1989 a 1992. Foi um político no sentido filosófico do termo. Um político querido por seus aliados e admirado por seus adversários. Fez da política uma arena de mudanças administrativas e realizações sociais. Comportou-se com galhardia, honradez e seriedade nos assuntos públicos. Realizou inúmeras obras importantes na cidade, tendo sido o prefeito do Primeiro Centenário do Município de Pederneiras

Na vida privada dedicou-se a inúmeras atividades comunitárias. Foi membro do Rotary Clube por 38 anos, tendo sido presidente na gestão 1957/58. Durante várias décadas foi um incansável batalhador para a Santa Casa de Misericórdia, fazendo parte da Mesa Administrativa e sendo Provedor por 2 mandatos, além de ser Membro Honorário da Mesa Administrativa. Participou como voluntário de inúmeras campanhas assistenciais no município.              

Sua vida maçônica foi profícua e longeva. Foram 56 anos e 3 meses de atividade maçônica ininterrupta, sem nenhum afastamento ou licença, superando o Irmão Saad Elias Razuk, que faleceu contando 50 anos de loja. 

Foi iniciado na ARLS Deus e Caridade X no dia 06/11/1965, tendo sido Orador da Loja por 3 ocasiões (1967, 1973 e 1979). Também foi Venerável por 3 mandatos (1969, 1975 e 1981). Galgou todos os degraus da Escada de Jacó, atingindo o grau 33 do R.:E.:A.:A.: recebeu todas as honrarias da Loja, do GOSP e do GOB, tendo sido agraciado com a mais alta dignidade maçônica do GOB, Comendador da Ordem do Mérito de D. Pedro I.

Porém, bem acima dos cargos e das distinções maçônicas, que apenas emolduram a nobreza maçônica desse pranteado Irmão, estão o caráter e a retidão moral de um Verdadeiro Irmão Maçom. Seus talentos espirituais foram forjados pela temperança maçônica e seus ideais humanitários extravasaram os umbrais do Templo de Salomão e levaram ao mundo profano os mais ternos fundamentos de liberdade, igualdade e fraternidade.

O fulgor das distinções profanas, o séquito de bajuladores do poder e o esplendor das alfaias, que tanto ensoberbecem o homem comum, não encontrou guarida no gênio simples do Irmão Fernando, que fez da humildade e da modéstia mais que um estilo de vida, senão o corolário de um homem virtuoso.

Nos períodos de maior tensão, nas lutas sociais intestinas, nos embates no templo e fora dele, sempre sua voz serena e firme soou como um clarão, um chamamento vivo a concórdia, a razoabilidade e a coesão. Quando acordos se mostravam impossíveis, sua ponderação e equilíbrio levavam a convergência. Quando a paixão subjugava e entorpecia os espíritos, era seu raciocínio límpido e lógico que indicava o caminho da coerência e da razão.

Por fim, na noite de uma sexta-feira, dia 4 de fevereiro de 2022, quando a pandemia do Coronavírus estava em pleno declínio, quis o Grande Arquiteto do Universo que esse fatídico vírus tisnasse de morte esse valoroso obreiro, aos 87 anos. Rompeu-se o elo mais tenaz da Cadeia de União da sua Loja-mãe, a Augusta, Benfeitora, Grande Benfeitora e Estrela da Distinção Maçônica, Loja Deus e Caridade Xª 937 - Cruz da Perfeição Maçônica Oriente de Pederneiras, elo que por mais de meio século enfrentou todas as adversidades de uma sociedade altamente heterogênea, sendo seu guia mais fulgurante entre todos os combatentes dessa gloriosa Loja.

 

Parafraseando Francisco de Quevedo: “Feliz serás e sábio terás sido se a morte, quando vier, não te puder tirar senão a vida”; e assim foi com o eterno Irmão Fernando Antonio Minguili. A morte levou apenas sua vida, pois seu legado permanecerá vivo na mente e nos corações de todos que tiveram o prazer de conhecê-lo e, pela lição eloquente de sua humildade, aprender os princípios fundamentais da felicidade humana.