Dom Pedro I e a Maçonaria

Breve estudo sobre a jornada maçônica do ex-imperador do Brasil

Publicada por Gosp

Publicada em 05/10/2021

Nascido no Palácio de Queluz em Portugal no dia 12 de outubro de 1798, Pedro de Alcântara, que desde o nascimento recebeu o prefixo honorífico "Dom", era filho do futuro Rei de Portugal Dom João IV e da infanta Dona Carlota Joaquina, filha de Carlos IV Rei da Espanha. 

Pedro passou seus primeiros anos no palácio de Queluz, rodeado de tutores que lhe deram uma boa educação ensinando-o artes, letras e línguas. No entanto, em 1808, quando Dom Pedro tinha apenas 9 anos, a Família Real portuguesa decidiu refugiar-se no Brasil, devido às invasões das tropas francesas que começaram em 1807, passando a viver na Quinta da Boa Vista na cidade do Rio de Janeiro.

Em 22 de abril de 1821, Pedro Alcântara é nomeado Príncipe Regente do Brasil, tornando-se assim o primeiro imperador do país, conhecido como: Dom Pedro I. Segundo o registro da ata do Grande Oriente do Brasil, a iniciação do Príncipe na Maçonaria ocorreu um ano depois, no dia 2 de agosto de 1822.

Ao entrar na Ordem, Dom Pedro I adotou o nome histórico de Guatimozim, em homenagem ao último imperador asteca da região de Anahuac (atual México), e por se considerar semelhante a Guatimozim por sua disposição de se sacrificar pelo Brasil.

No dia 4 de outubro de 1822, em Sessão Maçônica presidida pelo Irmão e Grão-Mestre Adjunto, Joaquim Gonçalves Ledo, Dom Pedro I é aclamado Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, na qualidade de substituto de José Bonifácio.

Todavia, o que aconteceu a seguir não foi tão saudoso. Em 21 de outubro de 1822, apenas 17 dias após se tornar Grão-Mestre, o Príncipe Regente determinou a interrupção das atividades maçônicas no Brasil. Ele garantiu ao Irmão Ledo que essa medida seria muito breve, afirmando, em correspondência Maçônica, o seguinte: "Meu Ledo. Convindo fazer certas averiguações, tanto públicas como particulares, na Maçonaria. Mando: primo como Imperador, segundo como Grão-Mestre, que os trabalhos Maçônicos se suspendam até segunda ordem minha. É o que tenho a participar-vos; agora resta-me reiterar os meus protestos como Irmão – Pedro Guatimozim Grão-Mestre. P.S. Hoje mesmo deve ter execução e espero que dure pouco tempo a suspensão, porque em breve conseguiremos o fim que deve resultar das averiguações".

D. Pedro I cumpriu a sua promessa, visto que, em 25 de outubro determinou o fim da suspensão das atividades maçônicas por chegar ao fim de suas averiguações. 

Um fato interessante nessa história, é que, supostamente, a aclamação de Dom Pedro I como Grão-Mestre na Sessão presidida por Ledo foi vista por José Bonifácio como um Golpe Maçônico, o que teria gerado animosidade entre os grupos da Maçonaria vermelha (republicana constitucionalista) e da Maçonaria azul (monarquista constitucionalista). 

Em 7 de abril de 1831, Dom Pedro I abdica do trono, ação que marcou o fim do primeiro reinado no Brasil. Já tendo se distanciado da Maçonaria nessa época, ele retorna a Portugal com o título de Duque de Bragança, falecendo três anos depois, em 27 de setembro de 1834. No sesquicentenário da Independência do Brasil, em 1972, seus restos mortais foram trazidos para a cripta do Monumento do Ipiranga, em São Paulo.