A Ópera Maçônica de Mozart

Breve estudo sobre a influência da Ordem em sua obra mais notória: A Flauta Mágica

Publicada por Gosp

Publicada em 17/05/2021

Nascido em Salzburgo, cidade austríaca localizada às margens do rio Salzach, no dia 17 de janeiro de 1756, Wolfgang Amadeus Mozart era filho de Leopold Mozart e de Anna Maria Pertl. Mozart, foi um compositor, pianista e mestre do Classicismo, considerado atualmente um dos maiores compositores da história da música ocidental, cuja influência e legado transcendem gerações.

Segundo historiadores, Mozart ingressou na Maçonaria em Viena na Loja Zur Wohlthätigkeit, aos 28 anos, no dia 14 de dezembro de 1784, começou como aprendiz, mas não demorou muito para obter o título de "Mestre Maçom". Durante o seu tempo na Ordem, que durou cerca de sete anos, Mozart compôs várias peças musicais para a fraternidade, existem registos de pelo menos 30 peças que incorporam os princípios Maçônicos, uma delas se tornou a sua obra mais emblemática: A Flauta Mágica.

Criada em 1791, A Flauta Mágica é descrita por estudiosos como "uma alegoria do Iluminismo, velada em um ritual maçônico", a ópera (dividida em dois atos) conta a história de reinos opostos, um deles é o reino da noite, governado pela Rainha da Noite, ele é simbolizado pela lua e pela cor prata, o outro é o Reino do Templo da Sabedoria, simbolizado pelo sol e a cor dourada, governado pelo Grande Sacerdote Sarastro. Na peça, a Rainha da Noite representa Maria Teresa, imperatriz da Áustria, responsável por tornar a Maçonaria ilegal em 1764. O Grande Sacerdote Sarastro representa Ignaz Edler von Born, que foi o principal cientista do Império Romano na década de 1770 (era do Iluminismo), e o líder da Loja Maçônica de Viena da qual Mozart era membro. 

Para os dois reinos coexistirem, é preciso que o príncipe Tamino e a princesa Pamina se unam, e que haja a vitória do sol sobre a lua. Somos introduzidos ao príncipe logo no início do primeiro ato, ele está fugindo de uma serpente, que representa a ignorância de Tamino em relação à Ordem Maçônica; afetado pelo cansaço, ele cai e é salvo pelas três damas da Rainha da Noite que o levam até ela. A rainha, pede-lhe que vá resgatar sua filha, a princesa Pamina, alegando que ela foi raptada por Sarastro. Para ajudá-lo nessa missão, a Rainha dá à Taminos uma Flauta Mágica. O resto da ópera, gira entorno da descoberta de Tamino em relação ao sacerdote, percebendo que ele não é o vilão, mas sim um sábio defensor da justiça; e de Tamino e Pamina que, juntos, desvendam um amor puro, enquanto enfrentam as provações Maçônicas. No final, após superarem as provações, eles recebem o escudo do sol do Sacerdote Sarastro, para serem governantes sábios e benevolentes.

Os simbolismos Maçônicos estão espalhados por toda a história, começando pelos casais: Tamino e Pamina representam os iniciados, que devem passar por um ritual (provações) para ingressarem na Ordem, no final eles recebem a glória que demonstra a fraternidade que todo ser humano deve possuir, celebrando a coragem, a virtude, a sabedoria e o amor; enquanto Papageno e Papagena, o outro casal, simbolizam o lado comum (não elevado) da humanidade. A Flauta Mágica, ilustra o conceito Maçônico de que a música possui grande poder para transcender o medo e o ódio humano. Durante a peça são feitas referências recorrentes ao número três (importante para os Maçons), seja na quantidade de templos, damas, cavalheiros, ou até mesmo a serpente cortada em três pedaços. Os templos na peça possuem inscrições com as palavras “Natureza”, “Razão” e “Sabedoria”, referentes à Ordem. 

Mozart teve que esconder as massagens em uma ópera, pelo fato de que a Maçonaria era condenada, pela nobreza e pelo clero. Ser maçom era perigoso, naquela época. Ao criar a obra-prima, que é A Flauta Mágica, Mozart garantiu que, além de ser um dos maiores testamentos da grandeza de seu dom, a peça seria sinônimo do simbolismo maçônico para a eternidade.